Todo shopping center tem um documento que define com precisão o que o lojista pode e não pode fazer no seu espaço. Esse documento tem diferentes nomes dependendo do empreendimento: caderno técnico de lojistas, manual do lojista ou tenant criteria. Ele existe porque o shopping precisa garantir um padrão mínimo de qualidade, segurança e estética em todas as lojas, independentemente de quem as opera.
Para o gestor de expansão que está abrindo uma loja em shopping pela primeira vez, o tenant criteria costuma ser uma surpresa. O projeto aprovado internamente precisa ser completamente revisado para atender às exigências do empreendimento, o prazo de aprovação não estava no cronograma e a obra só pode começar depois que o shopping libera. Entender como esse processo funciona antes de fechar o contrato de locação é o que diferencia uma abertura que ocorre no prazo de uma que atrasa dois meses logo no início.
O que é o tenant criteria e por que o shopping exige
O tenant criteria é o documento técnico entregue ao lojista no momento em que o contrato de locação é assinado. Ele define os parâmetros do espaço físico e das intervenções permitidas. As exigências variam por empreendimento, mas o objetivo é sempre o mesmo: garantir que todas as lojas atendam ao padrão do shopping em termos de qualidade de execução, segurança das instalações e identidade visual do empreendimento.
Para o shopping, o controle é necessário porque qualquer obra feita de forma inadequada pode comprometer as instalações coletivas como elétrica, HVAC e estrutura, além de criar riscos de segurança e prejudicar a percepção de qualidade do empreendimento como um todo. Para o lojista, conhecer o documento com antecedência evita retrabalho e atrasos que corroem o ROI da abertura.
O que o tenant criteria regula
O nível de detalhe varia entre shoppings, mas as áreas reguladas são consistentes. A tabela abaixo resume os principais elementos e o que costuma ser definido pelo empreendimento:
| Elemento | O que o tenant criteria regula | Pode adaptar? | Consequência de não seguir |
|---|---|---|---|
| Fachada e letreiro | Área máxima, altura, tipo de iluminação, materiais permitidos | Parcialmente, com aprovação prévia | Reprovação do projeto e necessidade de refazer a fachada após a obra |
| Vitrine | Profundidade, estrutura de suporte, tipo de iluminação interna | Parcialmente | Exigência de adaptação antes da vistoria final do shopping |
| Piso | Material, nivelamento em relação ao corredor, transição com a área comum | Sim, dentro dos materiais aprovados | Refazimento do piso se a transição com o corredor não atender ao padrão |
| Teto e forro | Altura mínima livre, tipo de forro, acesso para manutenção das instalações coletivas | Não, em geral é fixo pelo caderno técnico | Reprovação e demolição do forro executado incorretamente |
| Instalações elétricas | Carga máxima disponível, ponto de entrada, padrão do quadro | Não | Interdição da obra e necessidade de refazer toda a instalação |
| HVAC e climatização | Tipo de equipamento permitido, posição das saídas, interligação com o sistema central | Não | Remoção do equipamento e custo de reinstalação |
| Comunicação visual interna | Tipos de suporte, materiais, posicionamento dos elementos | Sim, dentro dos limites definidos | Exigência de remoção das peças não aprovadas antes da abertura |
Como funciona o processo de aprovação do projeto
A aprovação acontece em etapas. A primeira é a análise do anteprojeto ou projeto conceitual: o lojista entrega um conjunto mínimo de pranchas que mostra o layout, a fachada, os materiais e a comunicação visual previstos. O shopping analisa e emite um parecer, que pode ser aprovação, aprovação com ressalvas ou reprovação com exigências de ajuste.
A segunda etapa é a aprovação do projeto executivo, com mais detalhamento sobre todos os elementos construtivos, instalações e especificações de materiais. É nessa etapa que surgem a maior parte das rodadas de revisão, especialmente quando o escritório de arquitetura não tem experiência com o tenant criteria daquele shopping específico.
Somente após a aprovação do projeto executivo o shopping emite a Autorização de Obra, que é o documento que libera o início da construção. Sem esse documento, qualquer obra no espaço é uma infração ao contrato de locação, com risco de multa e embargo.
Quanto tempo leva a aprovação e como acelerar
O prazo de aprovação varia entre shoppings, mas o ciclo padrão é de 10 a 20 dias úteis por rodada de análise. Quando o projeto vai e volta com ajustes, cada rodada adiciona mais 10 a 20 dias úteis ao cronograma. Uma abertura que deveria levar 60 dias de obra pode ter 40 dias queimados apenas no processo de aprovação.
Os fatores que mais aceleram o processo: obter o tenant criteria antes de iniciar o projeto (e não depois de já ter o conceito pronto), trabalhar com um escritório familiarizado com o padrão do empreendimento específico e entregar o projeto completo desde a primeira submissão, sem pranchas faltando ou especificações incompletas. A maioria das reprovações acontece por documentação incompleta, não por projeto inadequado.
O que acontece quando o projeto não é aprovado
A reprovação não encerra o processo: ela gera uma lista de exigências que precisa ser atendida na próxima submissão. O problema é o prazo. Cada rodada de revisão consome tempo que estava previsto para a obra, e o contrato de locação continua correndo. O lojista paga aluguel de um espaço que ainda não pode ocupar, enquanto a equipe de obra está mobilizada sem poder começar.
Em casos extremos, quando o projeto é reprovado múltiplas vezes, o shopping pode exigir que a obra seja iniciada somente após aprovação total, o que pressiona ainda mais o cronograma e pode inviabilizar a data de inauguração planejada.
O papel do arquiteto especializado em lojas de shopping
A diferença entre um escritório que conhece o processo de shopping e um que não conhece aparece exatamente na etapa de aprovação. Um arquiteto experiente em tenant criteria lê o caderno técnico do empreendimento antes de começar o projeto, orienta o cliente sobre o que é viável dentro daquele espaço e entrega o projeto já adequado ao padrão exigido, reduzindo ou eliminando as rodadas de revisão.
Para redes em expansão que abrem múltiplas unidades em shoppings diferentes, o escritório de arquitetura se torna um parceiro estratégico: mantém o histórico de cada empreendimento, conhece as particularidades de cada tenant criteria e consegue antecipar as exigências antes da primeira submissão.
Perguntas frequentes sobre tenant criteria
O tenant criteria é o mesmo para todos os shoppings?
Não. Cada shopping tem seu próprio caderno técnico, e as exigências variam de forma significativa entre empreendimentos, mesmo sendo da mesma rede administradora. O padrão de um Iguatemi é diferente do de um Shopping Center Norte, que é diferente de um Outlet Premium. Um projeto aprovado em um shopping não está automaticamente adequado para outro, mesmo sendo da mesma marca e do mesmo escritório.
O lojista recebe o tenant criteria antes ou depois de assinar o contrato?
Na maioria dos casos, o tenant criteria está disponível para consulta durante a negociação do contrato. O ideal é solicitar o documento antes da assinatura para que o escritório de arquitetura possa avaliar a viabilidade do projeto dentro dos parâmetros do shopping. Quando esse passo é pulado, o lojista frequentemente descobre as restrições depois de já ter comprometido o orçamento e o cronograma com um projeto que precisa ser refeito.
O que acontece se a obra for iniciada sem autorização do shopping?
Obra sem a Autorização de Obra emitida pelo shopping configura infração contratual. O shopping pode embargar a obra, exigir a demolição do que foi executado e aplicar multa prevista no contrato. Em casos mais graves, pode rescindir o contrato de locação. O prazo de aprovação existe e precisa estar no cronograma desde o início do planejamento.
O shopping pode reprovar o projeto por questões estéticas?
Sim. Além dos aspectos técnicos, o tenant criteria também regula a identidade visual da fachada, os materiais de acabamento e a comunicação visual interna. Um projeto que usa materiais não listados como permitidos ou que destoa do posicionamento do empreendimento pode ser reprovado por questões estéticas, mesmo que atenda a todos os requisitos técnicos. Por isso, alinhar o projeto de identidade visual com o tenant criteria do shopping específico é parte obrigatória do processo.
Quanto tempo antes da inauguração o projeto precisa ser submetido ao shopping?
Considerando um ciclo de aprovação de 20 dias úteis por rodada e a possibilidade de pelo menos uma rodada de ajustes, o projeto precisa ser submetido com no mínimo 40 a 50 dias úteis de antecedência em relação ao início da obra. Se a obra tem 60 dias de prazo e a inauguração está marcada, o projeto precisa estar pronto para submissão pelo menos 3 meses antes da data de abertura. Muitas redes descobrem esse prazo tarde demais e comprometem toda a operação de expansão do período.
A PR+ Arquitetura tem experiência em processos de aprovação em shoppings de todo o Brasil. Se você está planejando uma abertura ou um rollout e precisa garantir que o projeto passe na primeira rodada, entre em contato com nosso time.




